segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Expectativas sobre a Maternidade

Hoje eu li no blog Eu me desenvolvo e evoluo com meu filho um texto sobre as expectativas da Maternidade.
O texto é bem bacana, a mãe dá seu depoimento sobre suas expectativas da Maternidade, de como tudo seria lindo e harmonioso. Mas depois do nascimento do bebê ela percebeu que não é assim um mar de rosas.

Lendo esse texto me lembrei de mim, sobre as minhas expectativas sobre a Maternidade. Até que eu não fantasiei muito, minhas amigas já tinham falado das noites em claro, cólicas, dificuldades para amamentar e tudo mais. Mas o quê eu não esperava, o quê eu não imaginava, era que meu filho nasceria com uma malformação. Tive uma gestação ótima, sem sustos até a 30° semana, quando no exame de rotina detectaram o aumento de líquido amniótico. E aí descobri que meu bebê provavelmente teria uma malformação chamada Atresia de esôfago, diagnóstico a ser confirmado após o nascimento. Meu mundo virou do avesso, não conseguia nem entrar no quartinho do bebê.

Com 32 semanas de gestação a minha bolsa rompeu, apesar do repouso, o líquido amniótico aumentou tanto que a bolsa não aguentou. O momento que era para ser o mais feliz da minha vida, foi o mais tenso. Tenho até vergonha de dizer isso: mas não fiquei feliz quando meu bebê deu sinal de nascer, fiquei triste porque queria levar a gravidez o mais próximo possível dos 9 meses. A última ultra apontava que ele tinha em torno de 1.600 Kg é isso me preocupava. Um medo terrível do meu bebê não resistir.

Foram 37 dias de internação na UTI neo, uma cirurgia para a gastrostomia e esofagostomia com dois dias de nascido. É o dia dessa cirurgia foi a pior dia da minha vida até hoje. O médico não nos deu esperanças. Meu marido entrou em estado de choque e eu recém operada (o bebê nasceu de cesárea devido ao aumento do líquido) tive que segurar a minha barra e a dele. Nunca tive tanta certeza que Deus estava ao meu lado quanto naquele momento. Por mais incrível que pareça eu me mantive calma, e apesar de tudo que os médicos diziam eu tinha certeza que meu filho ia se recuperar daquilo tudo. Apesar do medo, da aflição e de toda a tristeza, eu sabia que não era o fim.

Após a cirurgia foi necessário a dilatação do estômago do bebê que era do tamanho de um caroço de azeitona. A dieta via sonda era de 0,5 ml e essa medida ia aumentando conforme a avaliação da médica. E ainda precisava ganhar peso, a alta era com 2.200 Kg e ele nasceu com 1.530 Kg perdeu peso e foi para 1.470 Kg.

O dia mais feliz da minha vida foi o dia da alta, a saída do hospital foi emocionante, todos nós choramos, minha família, a equipe médica e as outras mães e os outros pais da UTI.

Hoje meu bebê está com quase 9 meses, estamos aguardando para fazer a cirurgia definitiva para reconstrução do esôfago. Confesso que às vezes me sentia "carente" da UTI. Aprendi a alimentá-lo pela sonda ainda quado o bebê estava internado, mas muitas vezes tinha medo, batia uma insegurança. Não só de alimentar o bebê, mas também por não saber o que ele queria, o que ele sentia e tudo mais. Graças a Deus hoje me sinto segura, e sem falsa modéstia, um pouco orgulhosa de mim mesma. Meu bebê está lindo e saudável e só falta apenas um pequenino detalhe para a felicidade completa, ele poder comer normalmente pela boca.

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